sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Homenagem a ERNESTO SABATO (1911 - 2011)


No dia em que este blog atingiu as 10 000 visitas, homenageamos ERNESTO SABATO:

A Modernidade começou com o Renascimento, um tempo inigualável em criações, inventos e descobrimentos. Foi uma etapa que, como a infância, ainda estava sob o olhar dos seus predecessores. A sua verdadeira independência foi o racionalismo. Foram percorridos até ao abismo os trilhos da cultura humanista. O homem europeu que entrou na história moderna cheio de confiança em si próprio e nas suas potencialidades criadoras, sai agora dela com a sua fé feita em farrapos. Estamos, indubitavelmente, face à mais grave encruzilhada da história, já que não podemos avançar mais pelo mesmo caminho. Faz tempo que o sentimento humanista da vida perdeu a sua frescura; estalaram no seu interior contradições destrutivas: o cepticismo minou-lhe o ânimo. A fé no homem e nas forças autónomas que o sustinham convergiram para o fundo.
RESISTIR; Trad. de Carlos Aboim de Brito, Dom Quixote

domingo, 4 de dezembro de 2011

O "Expresso" espreitou o DIÁRIO ÍNTIMO

ORAÇÃO DA NOITE

Quando vier a tristeza
faz que ela tenha uma grandeza.

Quando vier a dor
faz que ela seja bela como o amor.

Quando vier a rara alegria
faz que ela seja pura como a luz do dia.

Quando vier a noite,
mansa, a envolver teu coração,
faz que ela traga ao erro o seu perdão.






Algumas palavras de António Guerreiro sobre o DIÁRIO ÍNTIMO, de Luís Amaro:
"A sua poesia busca as raízes num lirismo íntimo da tradição poética portuguesa, relativamente impermeável ao efeito pessoano. E é aí nesse lirismo que se compraz na exploração da experiência íntima e emotiva do tempo que passa, que devemos procurara as motivações mais profundas desta poesia, que tem a qualidade da "sinceridade" passional e da afetação plácida sem arrebatamentos retóricos. Ler a poesia de Luís Amaro é descobrir caminhos menos sinalizados da poesia portuguesa de meados do século XX."

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