Licorne, s. m. Animal fabuloso, espécie de cavalo com um chifre no meio da testa, que, de acordo com Plínio, teria existido na África Central; alicorne. // O m. q. narval e unicórnio. // Constelação austral. Uma editora na RE-EXISTÊNCIA.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Os últimos poemas do ano
*
Sobre o vendedor de carvão
cai a noite
o ano finda
Como um sutra
o velho calendário
enche-me de gratidão
In PRIMEIRO AMOR, de Yosa Buson
(livro a publicar na próxima primavera).
cai a noite
o ano finda
Como um sutra
o velho calendário
enche-me de gratidão
In PRIMEIRO AMOR, de Yosa Buson
(livro a publicar na próxima primavera).
Inverno
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Um poema de inverno, por MATSUO BASHÔ
*
Primeiro aguaceiro -
tomarei por nome
"o viajante"
*
in AS CIGARRAS VÃO MORRER: HAIKU, UMA ANTOLOGIA
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
JOEL HENRIQUES explica o que não pode ser explicado
BREVE EXPLICAÇÃO DE UM LIVRO
Sophia de Mello Breyner Andresen dizia que a poesia não explica, implica. Mas perante o temor causado pelo meu livro Terra Prometida urge uma palavra. Até o autor sentiu essa impressão.
A poesia revela um instante. O instante revela o inconsciente. É parecida com a fotografia. Com a diferença de ser íntima, o que amplia o problema.
A poesia desperta medos entre nós e a vida. Também ela os sente, o que é saudável. Mas transmite também felicidade pelo instante. A poesia solta os medos da inexistência, rejeição e morte, porque traz a realidade solar à consciência.
A verdadeira poesia é transparente. É um fenómeno mental de aparição mágica do mundo. Nada existe nela de extraordinário. Até quando revela o inaudito. Também é universal a proposição de que todas as pessoas são únicas.
Tenho uma poesia inteira. Escrevo poemas sóbrios. Habito a superfície. Quem quer passar o Bojador, tem de passar também a dor, escreveu Fernando Pessoa. E, a mensagem que a poesia revela não é anunciada pelo autor. Nenhum leitor está dispensado da viagem.
O eu é um abismo onde qualquer pessoa se afunda. E os meus livros falam dessa última fronteira, ainda pouco conhecida. Vivo a mente humana acompanhado pelos sábios da cidade. Falo da magia da consciência. Do milagre do enigma. Da necessidade de revelação da alma e do transcendente.
Apesar deste desafio perigoso cheguei a conclusões sobre mim: sensível e firme, de esquerda, mas democrata. Cheguei também a conclusões sobre a minha família de pensamento, que vem do Iluminismo, consciente da necessidade de pertencer ao próprio tempo.
Esta época corre o risco de naufragar na interioridade. Por isso o meu testemunho é importante. Muitos poetas já escreveram sobre poesia, mas vivemos num tempo em que se vive no ar e do ar, depois de a natureza ter sido conquistada. Mais do que no século XX. A experiência é indispensável. No entanto, aumenta hoje a experiência «por dentro». Embora o exterior esteja presente, mais ou menos implícito. Ninguém subtraiu uma categoria à realidade.
A minha poesia revela a dor de um século, de um mundo desenraizado, em que nada escapa à intervenção humana. E a poesia também é uma técnica, embora defenda uma acção lúcida, em que a razão não desaparece, mas também não se agiganta, tornando-se irracional e alienada.
Lisboa, 13 de Dezembro de 2010
Sophia de Mello Breyner Andresen dizia que a poesia não explica, implica. Mas perante o temor causado pelo meu livro Terra Prometida urge uma palavra. Até o autor sentiu essa impressão.
A poesia revela um instante. O instante revela o inconsciente. É parecida com a fotografia. Com a diferença de ser íntima, o que amplia o problema.
A poesia desperta medos entre nós e a vida. Também ela os sente, o que é saudável. Mas transmite também felicidade pelo instante. A poesia solta os medos da inexistência, rejeição e morte, porque traz a realidade solar à consciência.
A verdadeira poesia é transparente. É um fenómeno mental de aparição mágica do mundo. Nada existe nela de extraordinário. Até quando revela o inaudito. Também é universal a proposição de que todas as pessoas são únicas.
Tenho uma poesia inteira. Escrevo poemas sóbrios. Habito a superfície. Quem quer passar o Bojador, tem de passar também a dor, escreveu Fernando Pessoa. E, a mensagem que a poesia revela não é anunciada pelo autor. Nenhum leitor está dispensado da viagem.
O eu é um abismo onde qualquer pessoa se afunda. E os meus livros falam dessa última fronteira, ainda pouco conhecida. Vivo a mente humana acompanhado pelos sábios da cidade. Falo da magia da consciência. Do milagre do enigma. Da necessidade de revelação da alma e do transcendente.
Apesar deste desafio perigoso cheguei a conclusões sobre mim: sensível e firme, de esquerda, mas democrata. Cheguei também a conclusões sobre a minha família de pensamento, que vem do Iluminismo, consciente da necessidade de pertencer ao próprio tempo.
Esta época corre o risco de naufragar na interioridade. Por isso o meu testemunho é importante. Muitos poetas já escreveram sobre poesia, mas vivemos num tempo em que se vive no ar e do ar, depois de a natureza ter sido conquistada. Mais do que no século XX. A experiência é indispensável. No entanto, aumenta hoje a experiência «por dentro». Embora o exterior esteja presente, mais ou menos implícito. Ninguém subtraiu uma categoria à realidade.
A minha poesia revela a dor de um século, de um mundo desenraizado, em que nada escapa à intervenção humana. E a poesia também é uma técnica, embora defenda uma acção lúcida, em que a razão não desaparece, mas também não se agiganta, tornando-se irracional e alienada.
Lisboa, 13 de Dezembro de 2010
Etiquetas:
Texto do autor sobre o seu livro
domingo, 12 de dezembro de 2010
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
2222
2222 é o nº total de visitantes que acederam à nossa página. Obrigado a todos.
Para aqueles que o desejarem, temos uma oferta. Enviaremos grátis o livro A NOITE DO ÍNDIO. Só têm de pagar o porte de correio.
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010
TEIXEIRA DE PASCOAES NAS PALAVRAS DO SURREALISMO EM PORTUGUÊS
domingo, 5 de dezembro de 2010
Livro TERRA PROMETIDA, de Joel Henriques
ISBN: 978-972-8661-64-9
172 páginas
Pvp: 12 E
CASA-MUNDO
Se o mundo for o mundo,
não imaginarei o tempo incompleto,
virá a alegria, a realidade será poética,
não precisarei da poesia.
Se tu fores tu,
terei neste lugar a humanidade;
os arquipélagos desenhados,
as solidões pressentidas,
nãoprecisarei das cidades.
Se a morte for a morte,
confiarei nos abismos desconhecidos;
a mesma ignrância de Anteu,
o vento sempre presente,
não precisarei de ser eu.
(pág. 84)
MIGUEL REAL, autor da LICORNE
sábado, 4 de dezembro de 2010
Regresso à Intensidez
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Livro O QUE É A DRAMATURGIA?

O QUE É A DRAMATURGIA?
Joseph Danan é autor dramático e professor no Instituto de Estudos Teatrais, na Sorbonne, Paris. Colabora regularmente como dramaturgista com o encenador Alain Bézu.
Em Portugal, peças suas foram representadas pelo Teatro da Rainha, pela Companhia Mau Artista e pelo Centro Dramático de Évora.
Título original: Qu'est-ce que la dramaturgie?
Edições: Actes Sud
Tradução Luis Varela
ISBN: 978-972-8661-66-3
Pvp: 8 E
Publicada por casa do sul em 08:41 Etiquetas: livros
Primeiro poema de TERRA PROMETIDA, de Joel Henriques
POEMA A TI
Começo na estrada
mais específico, mais concreto,
os nomes quase rasos.
O primeiro poema deste livro é sobre ti,
verde antes dos rios.
Se o teu olhar não seguir o meu,
o que escreverei?
As palavras serão ausência,
quase irrespiráveis.
Mas digo o teu dorso.
Esta obra não terá outro tema.
Mesmo que a resposta seja o nada
e tudo fique em silêncio,
só com este limiar
escreverei outros poemas.
Começo na estrada
mais específico, mais concreto,
os nomes quase rasos.
O primeiro poema deste livro é sobre ti,
verde antes dos rios.
Se o teu olhar não seguir o meu,
o que escreverei?
As palavras serão ausência,
quase irrespiráveis.
Mas digo o teu dorso.
Esta obra não terá outro tema.
Mesmo que a resposta seja o nada
e tudo fique em silêncio,
só com este limiar
escreverei outros poemas.
ALBANO MARTINS e CATULO foram à Universidade
10 de Novembro de 2010 (15 horas) - Sessão na Sala das Bellas Artes
PRETEXTO: a publicação em Évora (Editora Licorne) do livro de Catulo, '25 Carmes', em tradução de Albano Martins (Outubro de 2010). A que se acrescenta ainda: os 80 anos de Albano Martins (2010) e a publicação (Editora Afrontamento) do livro 'As Escarpas do Dia (Poesia 1950-2010)', com prefácio de Vitor Manuel de Aguiar e Silva.
MESA: Albano Martins (homenageado); Manuel Ferreira Patrício (apresentação de As Escarpas do Dia); Maria do Céu Fonseca (Vice-presidente do CEL, que patrocina o evento); A. Cândido Fraco (introduzirá a sessão).
NOTA: Albano Martins nasceu em 1930. Formou-se em Filologia Clássica na Universidade de Lisboa. Professor do ensino secundário entre 1956 e 1976. Aposentado desde 1973. Foi professor no Liceu de Évora (C.E.S.) na década de sessenta. Publicou cerca de três dezenas de livros de poesia, o primeiro deles em 1950. Traduziu (entre outros) Alceu, Safo, Leopardi, Neruda, Mahmud Darwich e Catulo.
Publicado em 03/11/2010
PRETEXTO: a publicação em Évora (Editora Licorne) do livro de Catulo, '25 Carmes', em tradução de Albano Martins (Outubro de 2010). A que se acrescenta ainda: os 80 anos de Albano Martins (2010) e a publicação (Editora Afrontamento) do livro 'As Escarpas do Dia (Poesia 1950-2010)', com prefácio de Vitor Manuel de Aguiar e Silva.
MESA: Albano Martins (homenageado); Manuel Ferreira Patrício (apresentação de As Escarpas do Dia); Maria do Céu Fonseca (Vice-presidente do CEL, que patrocina o evento); A. Cândido Fraco (introduzirá a sessão).
NOTA: Albano Martins nasceu em 1930. Formou-se em Filologia Clássica na Universidade de Lisboa. Professor do ensino secundário entre 1956 e 1976. Aposentado desde 1973. Foi professor no Liceu de Évora (C.E.S.) na década de sessenta. Publicou cerca de três dezenas de livros de poesia, o primeiro deles em 1950. Traduziu (entre outros) Alceu, Safo, Leopardi, Neruda, Mahmud Darwich e Catulo.
Publicado em 03/11/2010
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