UM LIVRO COM O TAMANHO DO MUNDO
O ponto de partida dos trinta e um textos que constituem o livro LIRA de Manuel Silva-Terra é a palavra livro. Trata-se pois dum livro sobre os livros, que evolui antes de mais como um exercício de linguagem.
Há o livro-casa, o livro-cobra, o livro-água, O livro-ave, o livro-fiama, o livro-espectro, o livro-cão e por aí fora, num processo alucinante de formação de palavras novas, que nascem para a língua portuguesa pela justaposição (em geral) de dois substantivos autónomos.
No fundo aquilo que se procura com este procedimento é alargar a noção de livro ao espaço do próprio mundo. Ao mesmo tempo que a língua se enriquece de novo léxico, o livro alarga o seu campo semântico aos elementos do universo.
Estamos assim diante dum livro que tem o tamanho do mundo e o sabor da vida.
22 de Maio de 2010
Intensidez / Bibliocafé
António Cândido Franco na sessão de apresentação
Licorne, s. m. Animal fabuloso, espécie de cavalo com um chifre no meio da testa, que, de acordo com Plínio, teria existido na África Central; alicorne. // O m. q. narval e unicórnio. // Constelação austral. Uma editora na RE-EXISTÊNCIA.
terça-feira, 22 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Sobre DEPOIS DE DEZEMBRO
... «Esta "divergência" como que irradia do diálogo com Gastão Cruz para o resto do livro, que de várias formas vai demonstrando a incapacidade da linguagem para captar a "matéria mais volátil de que são feitos os dias."
... Há como que um paradoxo: por muito que o poeta use "uma lente de aumentar" (a poesia), "a imagem diminui / agora o mundo". O gradual fechamento não impede, ainda assim, a circulação de certas imagens e temas: a ideia de regresso, o espaço da casa, o amor, o vento, a perda, o rio, a memória. E, se a desconfiança em rfelação ao poder das palavras atravessa todo o livro, ela é de certa forma contrabalançada, no belo poema final "Resposta a Drummond"...»
... Há como que um paradoxo: por muito que o poeta use "uma lente de aumentar" (a poesia), "a imagem diminui / agora o mundo". O gradual fechamento não impede, ainda assim, a circulação de certas imagens e temas: a ideia de regresso, o espaço da casa, o amor, o vento, a perda, o rio, a memória. E, se a desconfiança em rfelação ao poder das palavras atravessa todo o livro, ela é de certa forma contrabalançada, no belo poema final "Resposta a Drummond"...»
José Mário Silva, Expresso, 5 de junho de 2010
Sobre LIRA
«...Por isso é este livro Lira, um dos mais importantes livros do autor e, se a crítica for justa, teremos de admitir que é um dos mais belos livros revelados em 2009/10. Nós entramos no mundo poético de Manuel Silva-Terra pela mão do livro e dele saímos com a sensação de que a praia que frequentámos é todo um oceano de palavras simples, belas, entre comoção e inteligência, problematização da vida e aceitação do esquecimento.»
António Carlos Cortez, JL, de 2 de junho de 2010
António Carlos Cortez, JL, de 2 de junho de 2010
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