terça-feira, 22 de junho de 2010

Sobre LIRA, de Manuel Silva-Terra

UM LIVRO COM O TAMANHO DO MUNDO




O ponto de partida dos trinta e um textos que constituem o livro LIRA de Manuel Silva-Terra é a palavra livro. Trata-se pois dum livro sobre os livros, que evolui antes de mais como um exercício de linguagem.
Há o livro-casa, o livro-cobra, o livro-água, O livro-ave, o livro-fiama, o livro-espectro, o livro-cão e por aí fora, num processo alucinante de formação de palavras novas, que nascem para a língua portuguesa pela justaposição (em geral) de dois substantivos autónomos.
No fundo aquilo que se procura com este procedimento é alargar a noção de livro ao espaço do próprio mundo. Ao mesmo tempo que a língua se enriquece de novo léxico, o livro alarga o seu campo semântico aos elementos do universo.
Estamos assim diante dum livro que tem o tamanho do mundo e o sabor da vida.


22 de Maio de 2010
Intensidez / Bibliocafé
António Cândido Franco na sessão de apresentação

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sobre DEPOIS DE DEZEMBRO

... «Esta "divergência" como que irradia do diálogo com Gastão Cruz para o resto do livro, que de várias formas vai demonstrando a incapacidade da linguagem para captar a "matéria mais volátil de que são feitos os dias."
... Há como que um paradoxo: por muito que o poeta use "uma lente de aumentar" (a poesia), "a imagem diminui / agora o mundo". O gradual fechamento não impede, ainda assim, a circulação de certas imagens e temas: a ideia de regresso, o espaço da casa, o amor, o vento, a perda, o rio, a memória. E, se a desconfiança em rfelação ao poder das palavras atravessa todo o livro, ela é de certa forma contrabalançada, no belo poema final "Resposta a Drummond"...»

José Mário Silva, Expresso, 5 de junho de 2010

Sobre LIRA

«...Por isso é este livro Lira, um dos mais importantes livros do autor e, se a crítica for justa, teremos de admitir que é um dos mais belos livros revelados em 2009/10. Nós entramos no mundo poético de Manuel Silva-Terra pela mão do livro e dele saímos com a sensação de que a praia que frequentámos é todo um oceano de palavras simples, belas, entre comoção e inteligência, problematização da vida e aceitação do esquecimento.»

António Carlos Cortez, JL, de 2 de junho de 2010

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